Mas será?

Que o Pai Nosso pode perdoar tanto nossas dívidas quanto nossas ofensas

Que o Pai Nosso pode perdoar tanto nossas dívidas quanto nossas ofensas
Religioso ou não você certamente já ouviu a oração do Pai Nosso. Mas qual versão você conhece? A que fala sobre Ofensas ou a sobre Dívidas?

Rimetti a noi i nostri debiti, em bom português Perdoai nossas dívidas, já deixa claro no título a versão escolhida pelo diretor e tem ligação direta com a história dos personagens.

O filme conta a história de Guido (Claudio Santamaria), um homem ameaçado por credores que após perder seu emprego passa a trabalhar junto de um cobrador de dívidas (Marco Giallini). Porém, Guido logo percebe que seu novo trabalho vai contra seus próprios princípios.

Apontamentos sobre o filme a parte, vamos nos ater ao que interessa: ofensas ou dívidas?

” (…) perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”, ou ” (…) perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos as de nossos devedores”?

Quando eu fiz (obrigatoriamente) a catequese, lembro perfeitamente de ter aprendido a versão com devedores. No entanto a versão mais usada nos dias atuais é a com ofensas, fazendo o título do filme ser uma espécie de analogia.

O que nos leva a pensar que houve um mudança no texto bíblico. – mas será?

Nos dias atuais, não é de se duvidar que tenha sido feita tal alteração por parecer menos  pesado.

https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1023981700-espelho-aumento-10x-com-luz-antigo-anos-80-lindo-_JMTraduções e versões sempre trazem discussões

Na Bíblia o Pai Nosso é encontrado em duas passagens: Mateus (6, 9-13) e Lucas (11, 1-3).

Partindo do princípio utilizado por Cristãos mundo afora, Jesus utilizava o Aramaico, que era língua falada na Palestina na época e que por sua vez é muito similar ao idioma original dos Judeus, o Hebraico.

É importante ressaltar que o uso do Grego era comum como a língua da Ciência e da Filosofia e o Latim era a língua oficial do império romano.

Os apóstolos Lucas, João e Marcos escreveram os evangelhos em grego, já Mateus escreveu em Aramaico. Mateus utiliza a versão com dívidas e Lucas a versão com pecados.

Muitos anos depois, a Bíblia foi traduzida para o latim por São Jerônimo, este por sua vez, manteve a versão vinda do grego, com dívidas.

Essa versão foi a mais difundida e utilizada até pouco antes do Concílio Vaticano II.

https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1023981700-espelho-aumento-10x-com-luz-antigo-anos-80-lindo-_JMA Padronização da Palavra

Durante os anos de 1962 e 1965, aconteceu o grande evento da Igreja Católica no século 20, o chamado Concílio do Vaticano II. Tratava-se de uma reunião com bispos de todas as partes do globo e teve como objetivo central modernizar alguns aspectos da Igreja.

É nesse período que ocorre a mudança da passagem bíblica. Alguns progressistas da época acreditavam que o uso da palavra dívidas tinha um sentido demasiadamente capitalista.

Posteriormente, Portugal e França adotaram a versão com o uso da palavra ofensas enquanto Itália e Espanha permaneceram com a versão dívidas.

Dali em diante e com o crescimento exponencial das Igrejas Evangélicas, houve grande propagação da versão com a palavra ofensas.

Resumindo: as duas versões existem desde sempre, sendo adaptadas conforme a região e necessidade.

O importante mesmo é sermos perdoados, não é mesmo? Por isso é hora de ir ali no cantinho da penitência pedir perdão por esse post.

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Cássio Menin

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